Adriana Teixeira Simoni
Já foi feito um documentário
com esse título, belíssimo por sinal, que retrata o lixo, os catadores e a
possibilidades de transformar lixo em arte.
Fugindo do filme e caindo na
nossa dura realidade, esse título nos remete a duas interpretações rapidamente.
O extraordinário visto como fantástico, dando ao lixo o valor que ele realmente
merece e pode alcançar. E a outra interpretação que o lixo seria extraordinariamente
volumoso.
Hoje, nós brasileiros
podemos concordar que das duas formas vimos o lixo? Infelizmente não! O lixo
produzido no Brasil não tem o aproveitamento devido. Ele ainda é considerado
apenas volumoso e as iniciativas para diminuir esse volume estão pífias demais,
ou com efetiva despreocupação com o lixo em si.
Cada brasileiro produz em
média um pouco mais de 1 kg de lixo por dia, sendo que em São Paulo esse volume
chega 1.2Kg no Rio de Janeiro é de 1.6 kg por habitante. Essa quantidade de lixo
é algo muito preocupante, pois com o consumo altamente influenciado através do apelo publicitário diário a tendência é
aumentar esse volume ano a ano. Isso só nos remete ao saturamento dos aterros
sanitários e provável falta de áreas para instalação de novos aterros.
A preocupação com geração
excessiva de lixo e a destinação correta deveria ser algo extremamente
discutido e viabilizado iniciativas rápidas para a solução. A Política Nacional
de resíduos sólidos caminha a passos de tartaruga, não por culpa deles, mas a
burocracia é imensa e as verbas minúsculas. É impressionante como ações de caráter urgente
são deixadas de lado no Brasil e outros como atrativos para Jogos Olímpicos e
Copas do mundo são vislumbradas como essenciais para o Brasil. Isso é passageiro,
mas a produção e a não solução para o descarte correto do lixo é crescente, diária
e não tem como brincar de estátua – Pare! Não fabrique mais lixo!
A questão do lixo urbano não
tem sido pensada organizadamente, as medidas não estão sendo viabilizadas no
mesmo crescimento populacional nem da própria geração do lixo. Não estão sendo considerados em conjunto os
diversos aspectos envolvidos desde a coleta do lixo até a destinação. Envolvendo
neste caminho a reciclagem, o aproveitamento pela indústria de parte destes
recursos na divisão do lixo em potencial reciclável, orgânico para aproveitamento
na agricultura e demais fluidos pela indústria na geração de energia. E a arte
disse é que realmente pode ser tudo isso reaproveitado.
Neste aspecto o lixo apresenta
extraordinário valor e se assim fosse visto, o investimento que é
inevitavelmente alto, mesmo se utilizando da tecnologia nacional que vem sendo pesquisada
pelas Universidades viabilizando usinas de incineração, o retorno do
investimento será garantido e rápido, pois o lixo é matéria prima gratuita quanto
a produção e ademais o seu volume é extraordinário.
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